quinta-feira, 29 de julho de 2010

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Trecho do livro Eu sou Ozzy "Entre os shows, começamos a ter algumas ideias para músicas. Foi Tony que sugeriu primeiro que fizéssemos algo que soasse do mal. Havia um cinema chamado Six Ways, e sempre que tinha um filme de terror a fila dava volta no quateirão. "Não é estranho como as pessoas pagam para sentir medo?", lembro de Tony ter falado isso um dia. "Talvez a gente devesse parar de fazer blues e começar a escrever músicas de medo." Bill e eu achamos uma ótima ideia, assim começamos a escrever uma letra que acabou se transformando na música "Black Sabbath". É basicamente sobre um cara que vê uma figura vestida de negro saindo de um lago de fogo e vindo em sua direção. Aí Tony criou esse riff amedrontador. Eu gemi uma melodia em cima disso e o resultado final ficou legal pra caralho - a melhor coisa que já tínhamos feito, de longe."

- Era para ser apenas mais uma consulta entre um paciente viciado e um médico. Acontece que nem tudo é simples quando se trata de Ozzy Osbourne, ex-vocalista da banda de heavy metal Black Sabbath. Ao ''príncipe das Trevas'' - como ele é conhecido -, o incauto médico perguntou: "O senhor já tomou alguma ''droga de rua?". Ozzy pensou um pouco e mentiu. "Fumei, uma vez, um pouco de maconha". Mas o médico insistiu e o cantor entregou o que usou nos mais de 40 anos ininterruptos de vício. Foram quantidades abissais de anfetaminas, cocaína, heroína... E mais: garrafas e mais garrafas de álcool, charutos, cigarros, além de quase ter sido atropelado por um avião e quebrado o pescoço num acidente de quadriciclo. Ao final da entrevista, o médico mudou a pergunta: "Como o senhor ainda está vivo?".

O roqueiro responde a essa questão no livro "Eu Sou Ozzy", a autobiografia do músico, escrita pelo ghost writer Chris Ayres, lançada no Brasil pela editora Benvirá. "Ele estava certo. Não há nenhuma razão médica plausível que explique como eu ainda esteja vivo", escreve o cantor no livro. Considerado o pai do heavy metal, Ozzy descreve, nas 384 páginas da obra, outros momentos, dando a sua versão para episódios chaves, como a criação do Black Sabbath e sua posterior demissão por abuso de drogas, o início da carreira solo e o retorno ao estrelato com o reality "Os Osbournes", da MTV.

Talvez uma das maiores dificuldades do ghost writer Chris Ayres tenha sido checar todas as informações e datas citadas por Ozzy, já que o cantor sofre de problemas cognitivos por causa do abuso de drogas. Logo nas primeiras páginas, o cantor se justifica: "Não sou a Enciclopédia Britânica. O que você vai ler aqui é o que consegui tirar da geleia que chamo de cérebro". Ao contrário da maioria das biografias que mais parecem um tratado endeusando os biografados, nesta, Ozzy não foi condescendente consigo mesmo. Temos a impressão de que ele falou tudo, sem medo de julgamentos. Graças a isso, é possível ler passagens surreais de momentos marcantes da sua carreira.

Por exemplo, quando ele descreve, com riqueza de detalhes, como arrancou a cabeça de uma pomba com a boca, numa reunião com a CBS, após a gravação do álbum Blizzard of Ozz. Até hoje, o cantor é lembrado por seus fãs por ter decepado uma pomba com uma mordida. Depois viriam outras cabeças de animais alados, tais como os famosos morcegos que ele comeu num show e depois teve de tomar várias injeções antirrábicas. Com o efeito colateral, o roqueiro sofreu choques anafiláticos e quase morreu. Depois de ler o livro, você vai fazer a mesma pergunta que o médico fez a Ozzy: como ele ainda está vivo até hoje? As informações são do Jornal da Tarde.

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